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A Divindade e a Bíblia


Jesus nunca afirmou que era Deus, ninguém encontrará no evangelho uma só palavra sua em tal sentido. O título que Ele habitualmente se atribuía era o de “Filho do Homem”, que figura 80 vezes nos Evangelhos (30 no de Mateus, 14 no de Marcos, 26 no de Lucas e 10 no de João). Poucas vezes, e em geral de forma indireta, Ele se autodenominou “Filho de Deus”, título este que os discípulos, outras pessoas e até Espíritos impuros às vezes lhe atribuíam. É de notar que ser “filho de Deus” não é ser Deus, como se infere de João 1:12: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”
Os teólogos costumam apresentar como prova da sua divindade a frase “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), se atentar para o fato de que logo adiante Ele incluiu na mesma categoria os apóstolos, quando afirmou: “Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo. 17:11) e “para que também eles sejam um em nós” (Jo, 17:21).
Cumpre ter em vista, outrossim, que no mesmo episódio acima citado, quando os judeus o acusaram de “se fazer Deus a si mesmo” (João 10:33), Ele encerrou a discussão afirmando: “Se a própria lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, como dizeis que blasfema aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo, porque diz: “Sou filho de Deus”? (João 10:36).
Em vários outros trechos Ele se proclamou um “enviado de Deus” (João 4:34, 5:24, 6:29; 6:44; 7:29; 8:26; 12:45, 17:3) e chegou a afirmar: “Porque eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a daquele que me enviou” (João 6:38). claro que um enviado é sempre inferior àquele que o envia. Ele se atribuiu também vários outros títulos, como sejam os de Filho, de “Mestre e Senhor”, de “Luz do Mundo”, de “Bom Pastor”, etc., mas é claro que nenhuma dessas expressões implica a pretensão de se fazer divino. Como um enviado de Deus para pregar aos homens a Verdade, Ele foi um instrumento, um meio, um caminho para se chegar a Deus, foi verdadeiramente o “pão da vida” que a Humanidade esperava para saciar sua fome espiritual.
Se João 14:9 parece roborar a idéia da divindade, logo no v.10 Jesus esclarece que faz as obras porque o Pai permanece nele e no v.12 aduz que os que cressem fariam obras até maiores, mostrando que a ação divina se patenteava nas obras de todos os que cressem, nada havendo na passagem que justifique a noção de que Jesus se reputava Deus.
Outro trecho que se supõe confirmar a doutrina da Trindade é o de 1º João 5:7/8, mas aí a interpolação é tão evidente que a própria “Bíblia de Jerusalém” (editada com aprovação eclesiástica) o resume com estas palavras: “Porque três são os que testemunham: O Espírito, a água e o sangue”, aduzindo em nota de rodapé que as frases restantes ‘não constam dos antigos manuscritos, nem das antigas versões, nem dos melhores manuscritos da Vulgata, parecendo ser uma glosa marginal introduzida posteriormente.” (N.T., 6ª ed. pág. 649 (grifo nosso).
Paulo nunca chamou Jesus de Deus, embora pregasse a unidade de caráter entre ambos. Segundo o teólogo anglicano WILLISTON WALKER “a tradução de Rom. 9:5 não deve ser considerada paulina” (“Hist. da Igr. Cristã”, 2ª ed. pg. 56). O mesmo se pode dizer de Tito 2:13, “do qual não é possível uma interpretação segura”, segundo o teólogo KARL SCHELKLE, em sua “Teologia do Novo Testamento”, ed. Loyola, pg. 218.
O que se observa através da História, é uma tendência para considerar “deuses” aqueles que se destacam dos homens comuns por sua sabedoria, sua autoridade ou sua superioridade moral. Em Êxodo 7:1 lemos que “Jeová fez de Moisés um deus diante do Faraó”. Os próprios apóstolos, em certas ocasiões, foram tidos por deuses (Atos 14:11, 28:6). Veja-se também 1º Cor. 8:5.
“No mundo antigo havia muitos filhos de deuses. No Oriente antigo os reis eram tidos como gerados pelos deuses. Na mitologia grega os deuses geram filhos com mulheres humanas. Em Roma os imperadores eram divinizados depois de sua morte. Gênios que superavam a média humana (políticos, filósofos) eram venerados como divinos, ou filhos de Deus. O sentimento antigo percebia no extraordinário e imenso a revelação do divino. Além disso a Estoa ensinava, em outro sentido, a filiação divina de todos os homens” (Epicteto 1, 3, 1). A história das religiões acha que esta mentalidade antiga contribuiu para que Jesus fosse venerado como Filho de Deus.” (KARL H. SCHELKLE, em “Teologia do Novo Testamento”, ed. Loyola, 1978, pg. 205).
Neste sentido, ninguém mais do que Jesus merece para nós o título de Deus, como o reconheceu o apóstolo Tomé (João 20:28). Ele foi, com efeito, a mais perfeita das criaturas que jamais pisaram neste planeta, nele se manifestou “corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col. 2:9), pois em nenhum outro homem se apresentaram mais excelsas a sabedoria e a virtude. Mas foi precisamente isso, uma criatura de Deus que atingiu a máxima perfeição, ao ponto de gozar de íntima comunhão com Deus, daí o ter dito: “Quem me vê a mim, vê também o Pai” e “O Pai está em mim e eu no Pai” (João 14:9,10) e “Glorifica-me, Pai, com a glória que eu tinha contigo antes que houvesse mundo” (João 17:5). Mas Ele também disse: “Eu rogarei ao Pai” (João 14:16 e 16:26) e o que roga evidentemente é inferior ao rogado. Ele também afirmou: “O Pai é maior do que eu” (João 14:28).
Ora, raciocinemos: Se Deus vem criando de toda a eternidade (e nem se conceberia um Deus inativo), é natural que os Espíritos criados no que para nós pode ser definido como o “princípio dos tempos”, ou seja, há milhões e milhões de anos, todos eles, ou quase todos, já devem ter atingido o grau máximo da perfeição, situando- se na categoria dos “Espíritos Puros”, em gozo de plena comunhão com o Criador. Eles são, portanto, os colaboradores na obra de Deus, os seus auxiliares diretos, aqueles que tanto no Velho como no Novo Testamento (e por que não nos tempos atuais?) são chamados de ANJOS. A unidade na criação é a característica do nosso Pai e só ela pode espelhar sua infinita Justiça. Seria admissível que Ele criasse os anjos como entes privilegiados, saídos de Suas mãos como criaturas já perfeitas, enquanto os Espíritos humanos saem simples e ignorantes, fadados a sofrer vicissitudes sem conta, para um dia poderem alcançar a bem-aventurança eterna? Se um anjo disse a João: “Não te ajoelhes, pois eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas” (Apoc. 22:9), não foi por saber que a origem de todos os seres é a mesma?
E para encerrar estas considerações, indagamos: Acaso não parece muito mais grandiosa a figura de Jesus como um ser humano que, por se haver elevado ao ápice do aprimoramento espiritual, pode apresentarse aos nossos olhos como um modelo da perfeição a que todos aspiramos e que um dia, com a graça do Pai, haveremos de também alcançar? Pois se assim não fosse, por que teria Ele afirmado: “Dei-vos o exemplo para que, como eu voz fiz, assim o façais vós também”? (João 13:15).
Então, fique bem claro o nosso pensamento, segundo o qual, sendo Jesus um Espírito gerado em eras inimagináveis, e que por isso mesmo já fruia da comunhão com o Pai “antes que houvesse mundo” (João 17:5), tendo sido Ele, por certo, um dos planejadores e fundadores deste Planeta, tanto que é o seu Governador Espiritual e até chegou ao extremo de imolar-se para fazer progredir a Humanidade, o abismo que nos separa da sua excelsa perfeição é tão imenso que para nós Ele certamente é Deus, mas isto porque, sendo também uma criatura de Deus, “o primogênito de todas as criaturas” (Col. 1:15), logo “criatura” e não “criador”, pode apresentar-se como nosso modelo e nosso exemplo pelo fato de haver atingido a suma perfeição, e não porque seja “ingerado, consubstancial com Deus de toda a eternidade”, como decretou o Concílio de Nicéia no ano 325 da nossa Era.
Diz HERCULANO PIRES que:
a Igreja adotou o “credo quia absurdum”, como forma típica de coação psicológica. E a divindade de Jesus tornou-se origem de perseguições, torturas, maldições e mortes horripilantes. GANDHI, que não era cristão, após ler o Sermão da Montanha, perguntou a um missionário inglês como se explicava a contradição entre os frutos do Cristianismo em seu país e a árvore espiritual do Evangelho.(“Revisão do Cristianismo”, pg. 95).

A Dinvidade de Jesus — A Divindade e a Lógica

Iniciaremos com uma breve digressão sobre Astronomia, assunto decerto já bem conhecido dos leitores, mas que servirá para lembrar-lhes a exata posição no Cosmos, do homem e do minúsculo planeta que ele habita. Cingimo-nos, nesta parte, a um interessante trabalho divulgado pela extinta revista “LIFE” há mais de 20 anos, alguns de cujos conceitos, portanto, poderão já ter sido modificados.
Como a Terra tem 12.756 km de diâmetro equatorial e dista em média 150 milhões de km do Sol, as dimensões do nosso sistema planetário podem à primeira vista parecer estupendas, principalmente se considerarmos que o planeta mais distante do Sol, Plutão, dista deste cerca de 6 bilhões de quilômetros. Mas o nosso Sol, embora com um volume 1,3 milhões de vezes maior que o da Terra, não passa de uma estrela de tamanho médio. Se o imaginarmos como uma bola de 15 cm. de diâmetro, a Terra distaria dele uns 17 metros e o planeta Plutão cerca de 1 km. Pois bem, as estrelas mais próximas ficariam a 5 mil km e mesmo estas são consideradas vizinhas do Sistema Solar, tal a vastidão do Espaço.
Em noite clara podem ser vistas a olho nu cerca de 6 mil estrelas, metade em cada hemisfério. Com um pequeno telescópio distinguem-se mais de 2 milhões, enquanto o grande telescópio do Monte Palomar permite captar a luz de bilhões. À distância parecem formar verdadeiros aglomerados porém na realidade brilham como luzeiros solitários, separados por milhões de quilômetros quais naves a flutuar num oceano vazio.
As dimensões do Universo são tão vastas que não podem ser medidas pelos meios comuns, por isso recorre-se a uma unidade especial, que é o “ano-luz”. Aliás, é bom lembrar que todas as medidas do tempo vêm do espaço, sendo na realidade dimensões espaciais. Por exemplo: O que chamamos “uma hora” é, com efeito, um arco de 15 graus na rotação diária, aparente, da esfera celestial. Então, o “ano-luz” é o espaço percorrido pela luz no tempo de um ano. Sabendo-se que a velocidade da luz é de cerca de 300 mil km por segundo, segue-se que o “ano-luz” corresponde a quase 10 trilhões de quilômetros. Pois bem: enquanto o Sol está apenas a 8,2 “minutos-luz” da Terra, a mais próxima estrela (Alfa, do Centáuro) fica a 4,4 anos-luz da Terra, a gigante vermelha Betelgeuse (da constelação de Orion) a 300 “anos-luz” e a gigante azul Riegel (também de Orion) leva 540 anos para alcançar nossos olhos.
Vejamos outro aspecto dessa desconcertante noção de “espaço-tempo”: Quando olhamos para o céu em uma noite estrelada, na realidade estamos olhando “para trás no tempo”. Vemos a luz de estrelas como elas eram há milhares, talvez milhões de anos. Certamente nenhuma delas está mais nos pontos onde as vemos, algumas podem até ter sido totalmente extintas. Mesmo a mais próxima de nós (Alfa, do Centáuro), não a vemos como é hoje e sim como era há pouco mais de 4 anos. O que realmente vemos é o fantasma de uma estrela que emitia luz há 4 anos; se ela continua, ou não, brilhando agora, só poderemos saber dentro de mais 4 anos. Então, para descrever a posição de uma galáxia, não basta fixá-la nas três dimensões do espaço, mas também numa de tempo. Daí o dizer-se que o Universo é quadridimensional sendo a 4ª dimensão o tempo.
Mas todas essas estrelas a que nos reportamos até agora podem ser consideradas vizinhas próximas, e suas distâncias equiparam-se a centímetros, quando medidas em escala cósmica. Foi só nas últimas décadas que se percebeu que o nosso Sistema Solar é apenas uma unidade infinitesimal na borda externa de uma galáxia a que denominamos “Via Láctea”. E esta mesma não passa de uma unidade num aglomerado de galáxias ligadas pela gravitação, movendo-se ininterruptamente através do Espaço.
Essa faixa luminosa que avistamos em noites claras cortando o firmamento de norte a sul, só em tempos recentes veio a ser conhecida pelo que de fato é: um estupendo caudal de campos estelares integrando a parte visível da galáxia em que se move o nosso Sistema Solar. A dificuldade em apreender a estrutura da “Via Láctea”, é que nos achamos “dentro dela”. Só nos últimos tempos os astrônomos puderam cientificamente estabelecer que o que vemos da “Via láctea” é apenas parte do arco interno de um colossal aglomerado de estrelas, em forma de disco, similar às galáxias do espaço externo, O nosso planeta está situado a 30 mil “anos-luz” do centro da galáxia, e dele podemos divisar apenas uma pequena fração dos bilhões de estrelas que ela contém. O diâmetro da “Via Láctea” é de mais de 100 mil “anos-luz”, o que significa que a luz, à assombrosa velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, leva mais de 100 mil anos para percorrer a galáxia de uma extremidade à outra.
A galáxia também gira, completando uma revolução a cada 200 milhões de anos, não apenas levando com ela o nosso Sistema Solar com velocidade superior a 1 milhão de km por hora, como arrastando um enxame externo de aglomerados estelares, cada um com centenas de milhares de estrelas, todas girando em volta do centro da galáxia.
Mas a “Via Láctea” não é senão um membro de um agregado cósmico infinitamente maior, denominado “Grupo Local”, composto por cerca de 20 sistemas galácticos unidos pela energia gravitacional e com um diâmetro de uns 3 milhões de “anos-luz”. Próximo a uma das extremidades desse super-sistema gira o luminoso disco da “Via Láctea”, enquanto na extremidade oposta viaja a grande espiral de sua galáxia-irmã, Andrômeda. O “Grupo Local” abrange também 6 pequenas galáxias elípticas e mais as informes “Nebulosas Magelânicas”, além de algumas distantes espirais, perdidas no imenso vácuo. Remotas como se encontram, estão todas unidas por uma ignota energia gravitacional e revolucionam ao redor de um eixo desconhecido, situado em alguma parte, entre a Via Láctea e Andrômeda.
Mas ainda não é tudo: Volvendo o telescópio para além das mais distantes nebulosas do Grupo Local, descobre-se um crescente número de enevoadas manchas luminosas, suspensas no Vácuo como tênues teias de aranha. São as chamadas “Galáxias Externas”, ou “Universos ilhas”, cada uma delas composta por bilhões e bilhões de estrelas, mas tão profundamente entranhadas no abismo do espaço que a luz que emitem leva milhões de anos para chegar até nós. Só no interior da Ursa Maior, fracos bruxuleios revelam uma concentração de mais de 300 galáxias. Junto dela o nosso Grupo Local seria um aglomerado anão.
Em geral as galáxias do espaço externo tendem a aglomerar-se em comunidades de cerca de 500 — galáxias de galáxias — unidas pela gravidade e, não raro, interpenetrando-se sem que jamais ocorra colisão, uma vez que as suas componentes estão separadas entre si por trilhões de quilômetros. Os astrônomos calculam que cerca de 1 bilhão de galáxias se encontram ao alcance dos nossos maiores telescópios, apresentando 3 tipos: Galáxias espirais (80%) Galáxias elípticas (17%) e Galáxias irregulares 3%).
Não foi senão a partir do início deste século que o foco da Astronomia se deslocou dos planetas para as estrelas e só nos últimos 40 anos ele passou a abranger as galáxias do espaço externo. Portanto, é certo que os conceitos da moderna Astronomia não eram conhecidos dos nossos avós. Então, resulta evidente que os princípios aceitos como verdade ha 100 ou 200 anos não são os mesmos princípios agora  reconhecidos como firmemente ancorados nos conhecimentos científicos.
Ora, até 100 ou 200 anos o homem se acreditava o centro do Universo, compenetrado da sua magnificência como o “Rei da Criação”. Para ele, a Terra fora criada no ano 4004 antes de Cristo, o homem formado de barro e os astros fincados como luzeiros no céu apenas para lhe proporcionar luz e deleite. Se a Terra era plana, com o céu por cima e o inferno por baixo, foi até lógica a teoria de que o Criador viesse encarnar neste mísero planeta, para salvar a Humanidade condenada pelo pecado de Adão. Ora, que o Onipotente tenha o poder de fazê-lo; quem duvida? Mas em face da lógica e com os conhecimentos científicos de que hoje dispomos, não se configura demasiado pretensiosa essa teoria?
Se Deus nunca teve princípio, é perfeitamente razoável admitir que Ele venha criando de toda a eternidade. Quantos milhões de sistemas não foram atraves de milênios sem fim, elaborados pelo seu pensamento criador? E com tantos e tantos bilhões de planetas espalhados pela imensidão do Espaço quantos não haverá palpitantes de vida com humanidades em diferentes estagios de evolução muitas delas sem dúvida mais adiantadas que a nossa? Vejamos como idealiza o caso o eminente cientista CHARLES RICHET:
“Sei que no espaço infinito milhões de planetas giram ao redor de outros tantos sóis. Conheço um desses planetas, a Terra, e vejo que é habitado por seres inteligentes. Como poderei adimitir que só ele goza essa vantagem? (se é vantagem). Eis aqui um saco contendo 1 milhão de bolas cujas cores ignoro. Tiro uma ao acaso e vejo que é vermelha. Sera lógico supor que entre as 999.999 restantes não haja mais nenhuma dessa cor?” (“ A Grande Esperança”, 2ª ed. Lake, 1976, pg. 19).
E aqui cabe a grande indagação: Por que teria o Criador do Universo de punir o “pecado” cometido pelo mais ignorante dos seres, no mais rudimentar dos mundos? Porque teria o próprio Deus de descer de sua glória para encarnar num orbe tão desprezível, a fim de, com o seu próprio sangue, “ resgatar” os “erros” de criaturas tão frágeis? Desculpem os irmãos, mas não tem lógica!
Tal idéia poderia ter sido, não diremos razoável, mas pelo menos compreensível, em épocas passadas, ao tempo em que se acreditava a Terra o centro do Universo e os seus habitantes a obra máxima do Criador; mas nos termos da Cosmogonia atual, convenhamos em que certas doutrinas estão a exigir urgente revisão, para que não resulte deslustrada a inteligência dos seus profitentes.
E é bom que essa revisão se faça logo, porque se a qualquer momento os contatos imediatos do terceiro grau comprovarem aquilo que todos já intimamente admitimos, ou seja, a existência de outras humanidades com outros tipos de civilização, como é que vão expliçar essas complicada teorias do pecado original da encarnação do Deus-Filho em nosso planeta?
Mas este é apenas um dos aspectos do problema da divindade de Cristo. Existem vários outros, que examinaremos em seguida.
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domingo, 21 de novembro de 2010

A Divindade e a Bíblia


Jesus nunca afirmou que era Deus, ninguém encontrará no evangelho uma só palavra sua em tal sentido. O título que Ele habitualmente se atribuía era o de “Filho do Homem”, que figura 80 vezes nos Evangelhos (30 no de Mateus, 14 no de Marcos, 26 no de Lucas e 10 no de João). Poucas vezes, e em geral de forma indireta, Ele se autodenominou “Filho de Deus”, título este que os discípulos, outras pessoas e até Espíritos impuros às vezes lhe atribuíam. É de notar que ser “filho de Deus” não é ser Deus, como se infere de João 1:12: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”
Os teólogos costumam apresentar como prova da sua divindade a frase “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), se atentar para o fato de que logo adiante Ele incluiu na mesma categoria os apóstolos, quando afirmou: “Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo. 17:11) e “para que também eles sejam um em nós” (Jo, 17:21).
Cumpre ter em vista, outrossim, que no mesmo episódio acima citado, quando os judeus o acusaram de “se fazer Deus a si mesmo” (João 10:33), Ele encerrou a discussão afirmando: “Se a própria lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, como dizeis que blasfema aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo, porque diz: “Sou filho de Deus”? (João 10:36).
Em vários outros trechos Ele se proclamou um “enviado de Deus” (João 4:34, 5:24, 6:29; 6:44; 7:29; 8:26; 12:45, 17:3) e chegou a afirmar: “Porque eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a daquele que me enviou” (João 6:38). claro que um enviado é sempre inferior àquele que o envia. Ele se atribuiu também vários outros títulos, como sejam os de Filho, de “Mestre e Senhor”, de “Luz do Mundo”, de “Bom Pastor”, etc., mas é claro que nenhuma dessas expressões implica a pretensão de se fazer divino. Como um enviado de Deus para pregar aos homens a Verdade, Ele foi um instrumento, um meio, um caminho para se chegar a Deus, foi verdadeiramente o “pão da vida” que a Humanidade esperava para saciar sua fome espiritual.
Se João 14:9 parece roborar a idéia da divindade, logo no v.10 Jesus esclarece que faz as obras porque o Pai permanece nele e no v.12 aduz que os que cressem fariam obras até maiores, mostrando que a ação divina se patenteava nas obras de todos os que cressem, nada havendo na passagem que justifique a noção de que Jesus se reputava Deus.
Outro trecho que se supõe confirmar a doutrina da Trindade é o de 1º João 5:7/8, mas aí a interpolação é tão evidente que a própria “Bíblia de Jerusalém” (editada com aprovação eclesiástica) o resume com estas palavras: “Porque três são os que testemunham: O Espírito, a água e o sangue”, aduzindo em nota de rodapé que as frases restantes ‘não constam dos antigos manuscritos, nem das antigas versões, nem dos melhores manuscritos da Vulgata, parecendo ser uma glosa marginal introduzida posteriormente.” (N.T., 6ª ed. pág. 649 (grifo nosso).
Paulo nunca chamou Jesus de Deus, embora pregasse a unidade de caráter entre ambos. Segundo o teólogo anglicano WILLISTON WALKER “a tradução de Rom. 9:5 não deve ser considerada paulina” (“Hist. da Igr. Cristã”, 2ª ed. pg. 56). O mesmo se pode dizer de Tito 2:13, “do qual não é possível uma interpretação segura”, segundo o teólogo KARL SCHELKLE, em sua “Teologia do Novo Testamento”, ed. Loyola, pg. 218.
O que se observa através da História, é uma tendência para considerar “deuses” aqueles que se destacam dos homens comuns por sua sabedoria, sua autoridade ou sua superioridade moral. Em Êxodo 7:1 lemos que “Jeová fez de Moisés um deus diante do Faraó”. Os próprios apóstolos, em certas ocasiões, foram tidos por deuses (Atos 14:11, 28:6). Veja-se também 1º Cor. 8:5.
“No mundo antigo havia muitos filhos de deuses. No Oriente antigo os reis eram tidos como gerados pelos deuses. Na mitologia grega os deuses geram filhos com mulheres humanas. Em Roma os imperadores eram divinizados depois de sua morte. Gênios que superavam a média humana (políticos, filósofos) eram venerados como divinos, ou filhos de Deus. O sentimento antigo percebia no extraordinário e imenso a revelação do divino. Além disso a Estoa ensinava, em outro sentido, a filiação divina de todos os homens” (Epicteto 1, 3, 1). A história das religiões acha que esta mentalidade antiga contribuiu para que Jesus fosse venerado como Filho de Deus.” (KARL H. SCHELKLE, em “Teologia do Novo Testamento”, ed. Loyola, 1978, pg. 205).
Neste sentido, ninguém mais do que Jesus merece para nós o título de Deus, como o reconheceu o apóstolo Tomé (João 20:28). Ele foi, com efeito, a mais perfeita das criaturas que jamais pisaram neste planeta, nele se manifestou “corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col. 2:9), pois em nenhum outro homem se apresentaram mais excelsas a sabedoria e a virtude. Mas foi precisamente isso, uma criatura de Deus que atingiu a máxima perfeição, ao ponto de gozar de íntima comunhão com Deus, daí o ter dito: “Quem me vê a mim, vê também o Pai” e “O Pai está em mim e eu no Pai” (João 14:9,10) e “Glorifica-me, Pai, com a glória que eu tinha contigo antes que houvesse mundo” (João 17:5). Mas Ele também disse: “Eu rogarei ao Pai” (João 14:16 e 16:26) e o que roga evidentemente é inferior ao rogado. Ele também afirmou: “O Pai é maior do que eu” (João 14:28).
Ora, raciocinemos: Se Deus vem criando de toda a eternidade (e nem se conceberia um Deus inativo), é natural que os Espíritos criados no que para nós pode ser definido como o “princípio dos tempos”, ou seja, há milhões e milhões de anos, todos eles, ou quase todos, já devem ter atingido o grau máximo da perfeição, situando- se na categoria dos “Espíritos Puros”, em gozo de plena comunhão com o Criador. Eles são, portanto, os colaboradores na obra de Deus, os seus auxiliares diretos, aqueles que tanto no Velho como no Novo Testamento (e por que não nos tempos atuais?) são chamados de ANJOS. A unidade na criação é a característica do nosso Pai e só ela pode espelhar sua infinita Justiça. Seria admissível que Ele criasse os anjos como entes privilegiados, saídos de Suas mãos como criaturas já perfeitas, enquanto os Espíritos humanos saem simples e ignorantes, fadados a sofrer vicissitudes sem conta, para um dia poderem alcançar a bem-aventurança eterna? Se um anjo disse a João: “Não te ajoelhes, pois eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas” (Apoc. 22:9), não foi por saber que a origem de todos os seres é a mesma?
E para encerrar estas considerações, indagamos: Acaso não parece muito mais grandiosa a figura de Jesus como um ser humano que, por se haver elevado ao ápice do aprimoramento espiritual, pode apresentarse aos nossos olhos como um modelo da perfeição a que todos aspiramos e que um dia, com a graça do Pai, haveremos de também alcançar? Pois se assim não fosse, por que teria Ele afirmado: “Dei-vos o exemplo para que, como eu voz fiz, assim o façais vós também”? (João 13:15).
Então, fique bem claro o nosso pensamento, segundo o qual, sendo Jesus um Espírito gerado em eras inimagináveis, e que por isso mesmo já fruia da comunhão com o Pai “antes que houvesse mundo” (João 17:5), tendo sido Ele, por certo, um dos planejadores e fundadores deste Planeta, tanto que é o seu Governador Espiritual e até chegou ao extremo de imolar-se para fazer progredir a Humanidade, o abismo que nos separa da sua excelsa perfeição é tão imenso que para nós Ele certamente é Deus, mas isto porque, sendo também uma criatura de Deus, “o primogênito de todas as criaturas” (Col. 1:15), logo “criatura” e não “criador”, pode apresentar-se como nosso modelo e nosso exemplo pelo fato de haver atingido a suma perfeição, e não porque seja “ingerado, consubstancial com Deus de toda a eternidade”, como decretou o Concílio de Nicéia no ano 325 da nossa Era.
Diz HERCULANO PIRES que:
a Igreja adotou o “credo quia absurdum”, como forma típica de coação psicológica. E a divindade de Jesus tornou-se origem de perseguições, torturas, maldições e mortes horripilantes. GANDHI, que não era cristão, após ler o Sermão da Montanha, perguntou a um missionário inglês como se explicava a contradição entre os frutos do Cristianismo em seu país e a árvore espiritual do Evangelho.(“Revisão do Cristianismo”, pg. 95).

sábado, 20 de novembro de 2010

A Dinvidade de Jesus — A Divindade e a Lógica

Iniciaremos com uma breve digressão sobre Astronomia, assunto decerto já bem conhecido dos leitores, mas que servirá para lembrar-lhes a exata posição no Cosmos, do homem e do minúsculo planeta que ele habita. Cingimo-nos, nesta parte, a um interessante trabalho divulgado pela extinta revista “LIFE” há mais de 20 anos, alguns de cujos conceitos, portanto, poderão já ter sido modificados.
Como a Terra tem 12.756 km de diâmetro equatorial e dista em média 150 milhões de km do Sol, as dimensões do nosso sistema planetário podem à primeira vista parecer estupendas, principalmente se considerarmos que o planeta mais distante do Sol, Plutão, dista deste cerca de 6 bilhões de quilômetros. Mas o nosso Sol, embora com um volume 1,3 milhões de vezes maior que o da Terra, não passa de uma estrela de tamanho médio. Se o imaginarmos como uma bola de 15 cm. de diâmetro, a Terra distaria dele uns 17 metros e o planeta Plutão cerca de 1 km. Pois bem, as estrelas mais próximas ficariam a 5 mil km e mesmo estas são consideradas vizinhas do Sistema Solar, tal a vastidão do Espaço.
Em noite clara podem ser vistas a olho nu cerca de 6 mil estrelas, metade em cada hemisfério. Com um pequeno telescópio distinguem-se mais de 2 milhões, enquanto o grande telescópio do Monte Palomar permite captar a luz de bilhões. À distância parecem formar verdadeiros aglomerados porém na realidade brilham como luzeiros solitários, separados por milhões de quilômetros quais naves a flutuar num oceano vazio.
As dimensões do Universo são tão vastas que não podem ser medidas pelos meios comuns, por isso recorre-se a uma unidade especial, que é o “ano-luz”. Aliás, é bom lembrar que todas as medidas do tempo vêm do espaço, sendo na realidade dimensões espaciais. Por exemplo: O que chamamos “uma hora” é, com efeito, um arco de 15 graus na rotação diária, aparente, da esfera celestial. Então, o “ano-luz” é o espaço percorrido pela luz no tempo de um ano. Sabendo-se que a velocidade da luz é de cerca de 300 mil km por segundo, segue-se que o “ano-luz” corresponde a quase 10 trilhões de quilômetros. Pois bem: enquanto o Sol está apenas a 8,2 “minutos-luz” da Terra, a mais próxima estrela (Alfa, do Centáuro) fica a 4,4 anos-luz da Terra, a gigante vermelha Betelgeuse (da constelação de Orion) a 300 “anos-luz” e a gigante azul Riegel (também de Orion) leva 540 anos para alcançar nossos olhos.
Vejamos outro aspecto dessa desconcertante noção de “espaço-tempo”: Quando olhamos para o céu em uma noite estrelada, na realidade estamos olhando “para trás no tempo”. Vemos a luz de estrelas como elas eram há milhares, talvez milhões de anos. Certamente nenhuma delas está mais nos pontos onde as vemos, algumas podem até ter sido totalmente extintas. Mesmo a mais próxima de nós (Alfa, do Centáuro), não a vemos como é hoje e sim como era há pouco mais de 4 anos. O que realmente vemos é o fantasma de uma estrela que emitia luz há 4 anos; se ela continua, ou não, brilhando agora, só poderemos saber dentro de mais 4 anos. Então, para descrever a posição de uma galáxia, não basta fixá-la nas três dimensões do espaço, mas também numa de tempo. Daí o dizer-se que o Universo é quadridimensional sendo a 4ª dimensão o tempo.
Mas todas essas estrelas a que nos reportamos até agora podem ser consideradas vizinhas próximas, e suas distâncias equiparam-se a centímetros, quando medidas em escala cósmica. Foi só nas últimas décadas que se percebeu que o nosso Sistema Solar é apenas uma unidade infinitesimal na borda externa de uma galáxia a que denominamos “Via Láctea”. E esta mesma não passa de uma unidade num aglomerado de galáxias ligadas pela gravitação, movendo-se ininterruptamente através do Espaço.
Essa faixa luminosa que avistamos em noites claras cortando o firmamento de norte a sul, só em tempos recentes veio a ser conhecida pelo que de fato é: um estupendo caudal de campos estelares integrando a parte visível da galáxia em que se move o nosso Sistema Solar. A dificuldade em apreender a estrutura da “Via Láctea”, é que nos achamos “dentro dela”. Só nos últimos tempos os astrônomos puderam cientificamente estabelecer que o que vemos da “Via láctea” é apenas parte do arco interno de um colossal aglomerado de estrelas, em forma de disco, similar às galáxias do espaço externo, O nosso planeta está situado a 30 mil “anos-luz” do centro da galáxia, e dele podemos divisar apenas uma pequena fração dos bilhões de estrelas que ela contém. O diâmetro da “Via Láctea” é de mais de 100 mil “anos-luz”, o que significa que a luz, à assombrosa velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, leva mais de 100 mil anos para percorrer a galáxia de uma extremidade à outra.
A galáxia também gira, completando uma revolução a cada 200 milhões de anos, não apenas levando com ela o nosso Sistema Solar com velocidade superior a 1 milhão de km por hora, como arrastando um enxame externo de aglomerados estelares, cada um com centenas de milhares de estrelas, todas girando em volta do centro da galáxia.
Mas a “Via Láctea” não é senão um membro de um agregado cósmico infinitamente maior, denominado “Grupo Local”, composto por cerca de 20 sistemas galácticos unidos pela energia gravitacional e com um diâmetro de uns 3 milhões de “anos-luz”. Próximo a uma das extremidades desse super-sistema gira o luminoso disco da “Via Láctea”, enquanto na extremidade oposta viaja a grande espiral de sua galáxia-irmã, Andrômeda. O “Grupo Local” abrange também 6 pequenas galáxias elípticas e mais as informes “Nebulosas Magelânicas”, além de algumas distantes espirais, perdidas no imenso vácuo. Remotas como se encontram, estão todas unidas por uma ignota energia gravitacional e revolucionam ao redor de um eixo desconhecido, situado em alguma parte, entre a Via Láctea e Andrômeda.
Mas ainda não é tudo: Volvendo o telescópio para além das mais distantes nebulosas do Grupo Local, descobre-se um crescente número de enevoadas manchas luminosas, suspensas no Vácuo como tênues teias de aranha. São as chamadas “Galáxias Externas”, ou “Universos ilhas”, cada uma delas composta por bilhões e bilhões de estrelas, mas tão profundamente entranhadas no abismo do espaço que a luz que emitem leva milhões de anos para chegar até nós. Só no interior da Ursa Maior, fracos bruxuleios revelam uma concentração de mais de 300 galáxias. Junto dela o nosso Grupo Local seria um aglomerado anão.
Em geral as galáxias do espaço externo tendem a aglomerar-se em comunidades de cerca de 500 — galáxias de galáxias — unidas pela gravidade e, não raro, interpenetrando-se sem que jamais ocorra colisão, uma vez que as suas componentes estão separadas entre si por trilhões de quilômetros. Os astrônomos calculam que cerca de 1 bilhão de galáxias se encontram ao alcance dos nossos maiores telescópios, apresentando 3 tipos: Galáxias espirais (80%) Galáxias elípticas (17%) e Galáxias irregulares 3%).
Não foi senão a partir do início deste século que o foco da Astronomia se deslocou dos planetas para as estrelas e só nos últimos 40 anos ele passou a abranger as galáxias do espaço externo. Portanto, é certo que os conceitos da moderna Astronomia não eram conhecidos dos nossos avós. Então, resulta evidente que os princípios aceitos como verdade ha 100 ou 200 anos não são os mesmos princípios agora  reconhecidos como firmemente ancorados nos conhecimentos científicos.
Ora, até 100 ou 200 anos o homem se acreditava o centro do Universo, compenetrado da sua magnificência como o “Rei da Criação”. Para ele, a Terra fora criada no ano 4004 antes de Cristo, o homem formado de barro e os astros fincados como luzeiros no céu apenas para lhe proporcionar luz e deleite. Se a Terra era plana, com o céu por cima e o inferno por baixo, foi até lógica a teoria de que o Criador viesse encarnar neste mísero planeta, para salvar a Humanidade condenada pelo pecado de Adão. Ora, que o Onipotente tenha o poder de fazê-lo; quem duvida? Mas em face da lógica e com os conhecimentos científicos de que hoje dispomos, não se configura demasiado pretensiosa essa teoria?
Se Deus nunca teve princípio, é perfeitamente razoável admitir que Ele venha criando de toda a eternidade. Quantos milhões de sistemas não foram atraves de milênios sem fim, elaborados pelo seu pensamento criador? E com tantos e tantos bilhões de planetas espalhados pela imensidão do Espaço quantos não haverá palpitantes de vida com humanidades em diferentes estagios de evolução muitas delas sem dúvida mais adiantadas que a nossa? Vejamos como idealiza o caso o eminente cientista CHARLES RICHET:
“Sei que no espaço infinito milhões de planetas giram ao redor de outros tantos sóis. Conheço um desses planetas, a Terra, e vejo que é habitado por seres inteligentes. Como poderei adimitir que só ele goza essa vantagem? (se é vantagem). Eis aqui um saco contendo 1 milhão de bolas cujas cores ignoro. Tiro uma ao acaso e vejo que é vermelha. Sera lógico supor que entre as 999.999 restantes não haja mais nenhuma dessa cor?” (“ A Grande Esperança”, 2ª ed. Lake, 1976, pg. 19).
E aqui cabe a grande indagação: Por que teria o Criador do Universo de punir o “pecado” cometido pelo mais ignorante dos seres, no mais rudimentar dos mundos? Porque teria o próprio Deus de descer de sua glória para encarnar num orbe tão desprezível, a fim de, com o seu próprio sangue, “ resgatar” os “erros” de criaturas tão frágeis? Desculpem os irmãos, mas não tem lógica!
Tal idéia poderia ter sido, não diremos razoável, mas pelo menos compreensível, em épocas passadas, ao tempo em que se acreditava a Terra o centro do Universo e os seus habitantes a obra máxima do Criador; mas nos termos da Cosmogonia atual, convenhamos em que certas doutrinas estão a exigir urgente revisão, para que não resulte deslustrada a inteligência dos seus profitentes.
E é bom que essa revisão se faça logo, porque se a qualquer momento os contatos imediatos do terceiro grau comprovarem aquilo que todos já intimamente admitimos, ou seja, a existência de outras humanidades com outros tipos de civilização, como é que vão expliçar essas complicada teorias do pecado original da encarnação do Deus-Filho em nosso planeta?
Mas este é apenas um dos aspectos do problema da divindade de Cristo. Existem vários outros, que examinaremos em seguida.
 
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